Uau, que sótão empoeirado! Não vai ajudar em nada a minha alergia, mas tudo bem. Só demorei com o post porque semana passada aconteceu muita coisa e eu não sabia sobre o quê falar. Inicialmente, seria uma crítica ao Ibsen Pinheiro, que não achou nenhuma melancia pra pendurar no pescoço e arranjou um modo mais eficiente de aparecer. Depois eu pensei em falar umas coisas sobre a Miley Cyrus que estão engasgadas há muito tempo. Então, no meio da semana, eu recebo uma notícia totalmente inesperada. Mas, antes de falar sobre a notícia, tenho que colocar meus visitantes por dentro do contexto.
Eu conheci a Joanna faz uns dois anos. Ela escrevia mini-histórias no Orkut e todas as histórias, todas mesmo, eram sobre drama, e quase sempre acabavam em morte (ela era especialista em one-shots, nome desse estilo de escrita O que eu sabia a respeito da Joanna foi que ela morou uns tempos em Londres e passava as férias em Paris e Barcelona. Num dia desses, num tópico de chat, Joanna e eu ficamos amigas. Não demorou muito para virarmos as melhores amigas, mesmo virtuais. Falávamos de tudo, ela me contava segredos, lia as histórias que eu escrevia na época, e combinavámos em muita coisa (odiar Crepúsculo já é muita coisa). Enfim, nós nos chamávamos de "gêmeas", mesmo com uns aninhos de diferença.
O mais legal dessa irmandade era que a Joanna e eu tínhamos as nossas diferenças também. Eu sempre fui toda aérea, voada, falante, tinha vários amigos na comunidade. Ela era aquela menina tímida, melancólica, do tipo que não falava muito, não era popular na comunidade onde sempre estávamos. Além de ser muito incompreendida e julgada, mas ela nunca ligou muito pra isso. Não havia opinião que a deixasse abalada. Quando as coisas esquentavam, ela simplesmente parava de falar. Quando estava feliz, era bem risonha, irônica, sugestiva. Ás vezes, ela se mostrava triste, nostálgica, mas evitava ao máximo que eu me preocupasse com isso. Por ser a mais meiga de nós, os meninos a amavam, embora fosse quase uma regra um deles se apaixonar por ela e a amizade ir quase por água a baixo. Nem posso contar quantas vezes eu tentava confortá-la de uma briga com um amigo em especial. Era como se apenas eu pudesse entendê-la, ou pelo menos, entendê-la mais do que eles.
No ano passado, a Joanna disse pra mim, e seus outros amigos mais próximos, que tinha leucemia, e parecia com medo de morrer. Minha primeira reação foi dizer "você não vai morrer, vai dar tudo certo, a medicina avançou muito, as pessoas não morrem mais disso hoje em dia, gêmea!", e o disse várias vezes durante o dia da revelação. Eu não sabia como ela se sentia, mas queria que ela tivesse fé e ficasse bem. Ela sumiu por uns dias, fazendo tratamentos, e de vez em quando me dava notícias. Os amigos dela, virtuais e 'reais', se afastaram, mas eu estava lá. Eu não queria deixá-la. Os amigos não queriam vê-la morrer, mas eu queria vê-la viva. Lembro de ter chorado de emoção quando ela me disse que estava se recuperando. Minha gêmea ia sobreviver! Ela se tornava minha heroína desde então. A certeza do final feliz era mais forte pra mim do que o sol lá fora. Eu cheguei a falar com ela que ainda faria um livro sobre a sua história.
Semana passada, pela manhã, ela só entrou no MSN para "se despedir" e "dizer Adeus". Tive medo de ser que eu temia. À noite, consegui entrar no Orkut e ela deixou uma mensagem na comunidade dizendo que estava morrendo, que havia se entregado à doença e pedia para que a entendessem por ser fraca. Inutilmente, implorei pelos scraps que ela não fizesse isso. Logo depois o irmão da Joanna entrou no perfil dela, dizendo que ela estava em coma desde a manhã daquele dia. Ela não tinha chance nenhuma de sobreviver. Estava virando um vegetal. As palavras fugiram da minha mente e da minha boca - coisa que nunca aconteceu antes. Senti uma espécie de choque. Primeiro me recusei a acreditar; depois tentei ignorar o fato; no fim, quando eu estava no ônibus pra casa, as lágrimas finalmente caíram.
"Ela disse que estava melhorando! Ela disse que estava melhorando! Ela não pode morrer!", eu repetia em pensamento, várias e vázias vezes, sem parar, enquanto eu continuava o resto do caminho a pé. Eu soluçava de doer o coração, como se eu quisesse chorar até morrer. Eu estava arrasada, não só por ser minha amiga, mas porque eu não estaria perto dela naquele momento. Ela estava apenas com o irmão, já que ela não tinha mais pai e a mãe saiu do país por também não suportar ver a morte dela. Como o irmão dela disse,"o pior foi que ela se foi infeliz".
Agora, eu perdi a minha irmã gêmea de coração. Sinto como se uma parte de mim tivesse ido embora com ela. Algumas coisas perderam a cor e o sentido desde então. Não fiquei deprimida, nem revoltada com o mundo, mas me sinto culpada por não ter feito algo. O que eu poderia fazer?! Eu não faço idéia! Mas eu gostaria de ter feito, fosse o que fosse. Tanta coisa que eu gostaria que ela visse. Eu nem enviei os pedaços do meu livro que ela garantiu que compraria quando fosse publicado. Bom, eu fiquei feliz por ela ter se lembrado de mim no final. "diga à minha gêmea que a amo", foram umas das últimas palavras dela antes de fechar os olhos pra sempre.
Termino essa postagem deixando um alerta: amigo é amigo, não importa onde ele mora, não importa se é seu vizinho ou se mora em outro estado ou continente. Amizade virtual existe. Algumas pessoas acham isso meio insosso, mas acredito que a presença de coração e espírito é mais válida que a física. E posso dizer com total certeza que a Joanna era tão minha amiga quanto os que tenho perto de mim. Exatamente por isso eu ainda sofro como se tivesse perdido a minha irmã biológica. Se você pode visitar seus amigos a qualquer hora, visite. Se ele estiver com uma doença grave, não o abandone. A Joanna foi fraca porque os 'amigos reais' dela foram muito mais fraco antes. A união faz a força, não faz? Então, depois disso, espero dar um pouco mais de valor a qualquer amigo meu, e qualquer pessoa que eu ame.
Saudades, Jo, você vai estar sempre aqui, não importa onde esteja agora. Eu não vou dizer Adeus, nunca. Os verdadeiros amigos não se vão.
terça-feira, 23 de março de 2010
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